Leitura Pública: Portugal, 30º Ano da Rede Nacional (1986-2016)

Maria José Vitorino

Maria José Vitorino

É professora desde 1976, bibliotecária desde 1990 e formadora certificada desde 1998. Publica regularmente artigos e comunicações em publicações especializadas, Congressos e Seminários, integrando a equipa de peer-review da IASL. Tem participado na organização de Conferências, Encontros e outros eventos nacionais e internacionais. Entre 1998 e 2014, trabalhou na Rede de Bibliotecas Escolares apoiando projetos e equipas de diversos concelhos. De 2004 a 2008, coordenou, com Amália Bárrios e Ana Melo, o THEKA Projeto Gulbenkian de Formação de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares. Licenciada em História (1977), é pós-graduada em Ciências Documentais-Bibliotecas e Documentação (1990) e em Gestão e Curadoria da Informação (2015), e mestre em Ciências da Educação - Educação e Leitura (2007). Participa como associada e dirigente em diversas associações, nacionais e internacionais, tais como: BAD Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, APMNR Associação Promotora do Museu do Neorealismo, APCEP Associação Portuguesa de Cultura e Educação Permanente, IASL International Association for Schoollibrarianship, ENSIL European Network for School Libraries and Information Literacy, Associação Forum Manifesto. É aderente do Bloco de Esquerda desde a sua fundação. Em 2009 recebeu o prémio IASL Schoollibrarianship e em 2010 oCidadão d'Honra-Mérito Cultural atribuído pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira. Fundou em 2014 a Laredo Associação Cultural, sendo membro da Direção. Reside em Vila Franca de Xira.
Maria José Vitorino

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Tive alguns privilégios como leitora em criança, graças a sementeiras várias, e à falta de rigidez de quem atendia o público em bibliotecas. Nasci em 1955, dois anos antes de ter sido criada a Biblioteca-Museu Municipal em Vila Franca de Xira (que a partir dos 10 anos iria utilizar intensivamente, pois tinha empréstimo domiciliário e um serviço muito compreensivo para leitores vorazes, sem olhar à idade), e três anos antes do arranque do Serviço das Bibliotecas Itinerantes da Gulbenkian.

Calculo que por causa da existência da primeira (um caso pouco frequente em Portugal), este Serviço não tinha carrinha a parar em Vila Franca, mas quer a 27, que parava em Alhandra (5 km, uma paragem de comboio), quer uma outra, que encontraria depois de 1968, na Praça de Londres, semanalmente, à porta do Liceu que frequentava, a 30km de casa, não eram picuinhas com as moradas que apresentava, de familiares e amigos. Confiaram sem delongas, preço ou reparo os preciosos volumes que me ajudavam nos 4 horas de viagem diária, nas ronceiras carruagens e nas estações desabrigadas. Sempre os devolvi em bom estado, e os sorrisos eram iguais em todas três: luminosos. Infelizmente, só recordo os nomes de dois dos sorridentes: D. Deodata (em Vila Franca, de sugestões mais convencionais, romances e poesia) e António José Forte (Alhandra, surrealista e sabedor, de Sandokan a Kafka…).

Mais tarde, a Secção Cultural do União Desportiva Vilafranquense (nas décadas de 60 e 70) e a Cooperativa Alves Redol – fundada em 1970 – e as suas pequenas bibliotecas de livros “mal vistos” pelo Regime, vigiados pelos senhores da PIDE, e as revistas cinéfilas que alimentavam discussões e projecções no Cine-Clube Vilafranquense. Tudo movido a força de vontade de muita gente, todos leitores e partilhadores. Mesmo sem nomes, o amor, esse, está cá todo por todos, como em mim ficou fundo o entendimento do valor e do poder da leitura, e da não leitura.

Nunca lhes agradecerei bastante. Hoje, há uma rede de bibliotecas municipais no concelho, uma rede de bibliotecas que reúne dezenas delas, escolares e públicas, das quais a mais recente e vistosa se chamou Fábrica das Palavras. Nunca chegam para as encomendas. Ainda bem. Estas coisas são de longos caminhos e grandes fôlegos. 30 anos não são, de facto, quase nada…

 

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É professora desde 1976, bibliotecária desde 1990 e formadora certificada desde 1998. Publica regularmente artigos e comunicações em publicações especializadas, Congressos e Seminários, integrando a equipa de peer-review da IASL. Tem participado na organização de Conferências, Encontros e outros eventos nacionais e internacionais. Entre 1998 e 2014, trabalhou na Rede de Bibliotecas Escolares apoiando projetos e equipas de diversos concelhos. De 2004 a 2008, coordenou, com Amália Bárrios e Ana Melo, o THEKA Projeto Gulbenkian de Formação de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares. Licenciada em História (1977), é pós-graduada em Ciências Documentais-Bibliotecas e Documentação (1990) e em Gestão e Curadoria da Informação (2015), e mestre em Ciências da Educação - Educação e Leitura (2007). Participa como associada e dirigente em diversas associações, nacionais e internacionais, tais como: BAD Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, APMNR Associação Promotora do Museu do Neorealismo, APCEP Associação Portuguesa de Cultura e Educação Permanente, IASL International Association for Schoollibrarianship, ENSIL European Network for School Libraries and Information Literacy, Associação Forum Manifesto. É aderente do Bloco de Esquerda desde a sua fundação. Em 2009 recebeu o prémio IASL Schoollibrarianship e em 2010 o Cidadão d'Honra-Mérito Cultural atribuído pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira. Fundou em 2014 a Laredo Associação Cultural, sendo membro da Direção. Reside em Vila Franca de Xira.

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