Formação de actores apresenta “As Bondosas”

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No Teatro-Estúdio Ildefonso Valério

O Grupo de Teatro Cegada, fundado pelo já falecido dramaturgo e encenador Ildefonso Valério, em 1986, presentemente instalado no Teatro-Estúdio com o nome do seu fundador, em Alverca, dedica-se há vários anos à formação de actores.

Rui Dionísio, director artístico do grupo de teatro, explica ao Gaibéu a dinâmica destas formações.


(clicar no play para ouvir)

O formador / encenador
Paulo Lage
Paulo Lage

No próximo dia 18, estreia a peça As bondosas, de Ueliton Rocon, que constitui o trabalho final da formação de actores deste ano dirigida por Paulo Lage, reconhecido actor e encenador que há vários anos dá formação. A carreira de formador começou em 2006, quando Paulo Lage regressou do Brasil, onde esteve na Escola de Arte Dramática da Universidade de S. Paulo (USP) como bolseiro da Gulbenkian para novos criadores. Em S. Paulo, Paulo Lage também esteve ligado à companhia de Antunes Filho, Centro de Pesquisa Teatral (CPT). Mas a experiência internacional do actor e encenador não se resume a S. Paulo, pois Paulo Lage também esteve em Paris e Madrid, como bolseiro. Como actor de teatro infantil, além de Portugal, Espanha e Brasil, esteve no Japão e na Turquia. Em Portugal, trabalhou com o Teatro Nacional D. Maria II e com a Comuna Teatro de Pesquisa, entre outros. Encenou As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant, de Fassbinder; As Criadas, de Jean Genet, ou Hanjo, de Yukio Mishima. Paralelamente ao trabalho como actor, na formação de actores e de encenação, Paulo Lage faz dobragens e trabalha em publicidade e cinema.

A formação
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O palco

O formador de actores desta temporada –  neste caso, de actrizes, pois o elenco de As bondosas é unicamente constituído por mulheres  –  contou que aceitou o convite porque achou o “projecto muito interessante” e que, apesar de não conhecer o trabalho, ficou agradado com o currículo que lhe foi apresentado pelo Grupo de Teatro Cegada.

A formação é dirigida a quem está interessado em se iniciar no teatro, mas que, mais tarde, pode enveredar por uma carreira nesta área. Tanto nas formações leccionadas pelo Cegada, como nas anteriormente dirigidas por Paulo Lage, já houve quem se profissionalizasse nesta área; como exemplo, temos o caso do actor Isac Graça e de Vera Teixugueira, que se iniciaram aqui, no Grupo de Teatro Cegada, ou Mónica Cunha e Sofia Baessa que foram alunas de Paulo Lage num curso de iniciação.

As maiores dificuldades que os iniciantes enfrentam nestas formações, conforme nos contou o formador, são “os ritmos e as didácticas de que o teatro necessita, como o tipo de voz que tem de se utilizar no teatro, o tipo de postura que tem que se utilizar no teatro ao nível dos movimentos, mas depois, a partir daí, as pessoas põem a essência delas ligadas às personagens e as coisas acabam por acontecer”.

As pessoas, que ao princípio estão muito frágeis e curiosas, depois acabam por se entregar muito.” – Paulo Lage

Esta formação, que começou em Setembro, teve a duração de 3 meses, culminando na apresentação ao público da peça de teatro. Para tal, foram trabalhadas técnicas de palco, cujo resultado será visível na representação de cada uma e de todas as formandas.

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O ensaio

Paulo Lage diz que o principal medo das formandas foi não conseguirem decorar o texto, mas que “depois começam a perceber que o texto é só um pretexto e não é assim tão difícil”.

Está previsto um novo curso de formação de actores para 2016. No entanto, aquele dependerá do reajustamento das verbas para o financiamento dos agentes culturais, que, conforme declarações de Rui Dionísio, o grupo de teatro já tomou conhecimento e será efectuado por parte do município. O Grupo de Teatro Cegada aguarda, assim, a chegada do final do ano e início do próximo para saber exactamente qual será este reajuste e para elaborar a programação.

As formandas / futuras actrizes

O Gaibéu falou com as formandas para tentar perceber o que as motivou a inscreverem-se num curso de formação de actores, quais eram as suas expectativas e como tem sido esta experiência.

Isabel Fonseca, Magda Vicente e Branca Roriz
Isabel Fonseca, Magda Vicente e Branca Roriz são As bondosas
  • Isabel Fonseca, 44 anos

Das três formandas, Isabel Fonseca é a única com experiência em teatro: já tinha feito dois cursos no Cegada antes deste e participou em formações tanto no Teatro do Zero como nos fóruns de Teatro Amador.

Isabel inscreveu-se neste curso porque sentiu necessidade de aprender mais e de experimentar coisas diferentes. O seu objectivo foi experimentar formas diferentes de fazer teatro – e fazer teatro, já que adora estar em palco.

Pretende continuar com formações, pois gosta muito desta área. Não tem sentido grande dificuldade em interpretar a personagem que lhe foi destinada nesta peça e adora o texto que “põe em causa imensas coisas”. Diz-se ansiosa e não nervosa com a aproximação da data da estreia.

  • Magda Vicente, 37 anos

Magda Vicente é mais nova das “bondosas”. Soube do curso através de uma amiga, nunca tinha tido experiência em teatro e veio à procura de superar um desafio pessoal. Ainda não sabe se vai continuar o percurso no teatro, preferindo esperar por domingo para responder a essa questão.

Sente que as dificuldades na interpretação da personagem estão, especialmente, no decorar o texto e na projecção da voz; está um bocadinho nervosa com a chegada do dia da estreia.

  • Branca Roriz, 59 anos

Soube do curso pela filha e já tinha tido alguma, pouca, experiência em teatro, quando criança. Inscreveu-se no curso por curiosidade e porque achou que poderia ser interessante para a sua vida pessoal tirar esta formação.

O objectivo do curso foi aprender coisas novas e crescer enquanto pessoa. Espera continuar em formações deste tipo, apesar das dificuldades que tem sentido em decorar o texto, mas sente que tem valido a pena enfrentar estas dificuldades já que não está habituada a ter que se esforçar porque as coisas geralmente correm-lhe bem logo à partida.

Confessa-se nervosa com a aproximação da estreia.

A peça

A escolha de As Bondosas partiu do interesse das formandas em fazerem uma comédia, que teria de ser para três personagens, já que era esse o número de alunas. Também foi trabalhado o texto de Jean Genet, As criadas, mas a escolha final coube às formandas que optaram por levar à cena este As bondosas, de Ueliton Rocon.

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As bondosas

A história incide sobre os valores marcados por uma religiosidade hipócrita que condicionam o comportamento social e humano. Numa noite de velório e num tom bem-humorado, as personagens dissecam as suas vivências ao ponto de se descobrirem umas às outras e a si próprias.

008_As_bondosas_20151214_HB_vrAs bondosas estreia hoje, sexta-feira, às 21h00 e repete, no domingo, dia 20, às 16h30.

Texto: Sofia Troni

Fotografia: Helder Bento

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