Fogo que arde Portugal

Sofia T

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Profissionalmente tem feito imensas coisas, no entanto, aqui só se encontrará a parte civilizada.
Lê livros, conta histórias, estuda um pouco de tudo, o que lhe dá a capacidade de ver o mundo numa perspectiva alargada e de aprender depressa. Nunca pára de aprender. Vive numa insaciável busca por conhecimento e pela melhoria das suas aptidões.

Gosta de fazer bem, privilegia sempre a competência e segura-a no seu horizonte.

Se lhe perguntarem o que gosta mesmo de fazer, dirá que gosta de ler, escrever e de contar histórias. Por isso, escreve coisas em várias vozes. Eleva cada voz a um desafio que leva até ao fim e lhe serve de combustível.

Escreve em plataformas Blogger, WordPress, papel ou na areia da praia. Conta histórias em vídeo, áudio, ou texto. E edita-as todas, porque, acredita, é na edição que está a arte.

A quem interessar, nos espaços temporais que deixa em aberto, carregou fardos de palha, sacas de ração e carrinhos-de-mão cheios de estrume. Também trabalhou muitos cavalos e deu aulas de equitação, entre tantas outras coisas.
Sofia T

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No incêndio de Pedrógão Grande morreram 61 pessoas, 62 ficaram feridas e muitas ficaram desalojadas

À hora a que escrevo, há 61 mortos, 62 feridos registados e muitas pessoas desalojadas, vítimas do incêndio que deflagrou, ontem, em Pedrógão Grande e que continua activo.

Entre as vítimas mortais, 30 foram encontradas dentro de viaturas, 17 pessoas fora dos  carros ou nas margens da estrada, onze nas zonas rurais e duas pessoas foram vítimas de acidente de viação.

Segundo as últimas informações noticiadas pela comunicação social nacional, o incêndio terá tido origem numa trovoada seca. Um raio que atingiu uma árvore terá sido a causa do fogo.

A esta hora, ainda estão no terreno cerca de 2.866 operacionais, 850 viaturas e 27 meios aéreos que lutam contra as chamas.

É assustador o que vai acontecendo em Portugal, ano após ano. Os incêndios queimam o país principalmente nos três meses de Verão.

Se olharmos para o quadro abaixo, verificamos como o número de ocorrências sobe expressivamente durante os meses de Julho, Agosto e Setembro. O quadro mostra igualmente que o mês de Agosto de 2016 superou o valor médio mensal do decénio 2006 – 2015.

9º Relatório Provisório de Incêndios Florestais pelo Departamento de Gestão de Áreas Públicas e de Protecção Florestal, relativo ao ano de 2016, até 15 de Outubro

As áreas ardidas também são extensas e Portugal vai sucumbindo às cinzas todos os Verões.

No site da Pordata, encontramos informação sobre o número de corpos de bombeiros (472) e o número de bombeiros (28.957) existentes no ano de 2015. Este último diminuiu de 2012 para 2015, numa diferença de 2.500 operacionais, apesar de o número de corpos de bombeiros se ter mantido relativamente estável (473, em 2012).

No entanto, em 2002, ano com o maior número de bombeiros desde 1993 (a partir do qual há dados disponíveis no sítio da Pordata), havia 42.258 bombeiros (mais 13.301 do que em 2015) e 449 unidades operacionais (menos 23 do que em 2015), o que mostra que os corpos de bombeiros, apesar de serem em menor número, tinham mais pessoas ao seu serviço.

Com os dados aqui referidos não quero de todo tirar qualquer tipo de conclusões, já que o quadro que incluo abaixo mostra que tanto o número de incêndios, quanto o total de área ardida diminuiu em 2015 relativamente aos outros dois anos mencionados.

 

Incêndios florestais e área ardida em 2002, 2012 e 2015 – Fonte: Pordata

Neste último quadro também notamos que nos dois últimos anos referidos, há maior área ardida nos matos do que nos povoamentos florestais, ao contrário do que acontecia em 2002.

Este facto pode ter várias causas, mas nem me vou pôr aqui a tentar adivinhá-las, pois seria necessário ter muito mais informação para o analisar convenientemente.

No fundo o que pretendo com esta informação avulsa é mostrar que estamos perante uma calamidade que se repete todos os anos, com maior incidência no Verão, e que temos na frente de combate milhares de homens e mulheres que põem em risco a vida para acabar com os fogos que vão reduzindo Portugal a cinzas e que diminuem as áreas verdes no nosso país.

Parece-me imperativo olharmos para os números, pensarmos sobre eles e prevenirmos o que podemos prevenir, bem como termos cuidado e estarmos atentos de forma a combatermos estas calamidades e as reduzirmos a um número residual.

Também pretendo fazer notar que, se o incêndio que hoje lavra Pedrógão Grande foi alegadamente provocado por causas naturais, nem sempre é assim. Há muitos fogos que têm mão humana: há uns intencionalmente provocados  e outros que surgem por descuido.

Por isso, penso que será importante atentarmos às recomendações das entidades competentes e fazermos a nossa parte que pode parecer pequena, mas não é, é imensa.

E porque a informação nunca é demais, junto mais alguma que me parece bastante útil a quem quiser fazer uso dela.

Assim sendo:

As previsões meteorológicas fornecem avisos que aparecem a vermelho, laranja, amarelo e verde, consoante os riscos que apresentam. Olhar para estes indicadores pode ajudar nas medidas preventivas.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) fornece um conjunto de recomendações a ter em conta durante o período crítico de risco de incêndios (quadro abaixo).

ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas

Com temperaturas altas como as dos últimos dias, a Direcção-Geral da Saúde recomenda:

  • Procurar ambientes frescos e arejados ou climatizados;
  • Aumentar a ingestão de água ou de sumos de fruta natural sem açúcar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas;
  • Evitar a exposição directa ao sol, principalmente entre as 11 e as 17 horas;
  • Utilizar protector solar com factor igual ou superior a 30 e renovar a sua aplicação de 2 em 2 horas e após os banhos na praia ou piscina;
  • Utilizar roupa solta, opaca e que cubra a maior parte do corpo, chapéu de abas largas e óculos de sol com protecção ultravioleta;
  • Evitar actividades que exijam grandes esforços físicos, nomeadamente, desportivas e de lazer no exterior;
  • Escolher as horas de menor calor para viajar de carro. Não permanecer dentro de viaturas estacionadas e expostas ao sol;
  • Dar atenção especial a grupos mais vulneráveis ao calor, tais como crianças, idosos, doentes crónicos, grávidas, pessoas com mobilidade reduzida, trabalhadores com actividade no exterior, praticantes de actividade física e pessoas isoladas;
    • Seguir as recomendações do médico assistente ou do Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde (808 24 24 24) no caso de doentes crónicos ou sujeitos a terapêuticas e/ou dietas especificas;
    • Assegurar que as crianças consomem frequentemente água ou sumos de fruta natural e que permanecem em ambiente fresco e arejado;
    • As crianças com menos de 6 meses não devem estar sujeitas a exposição solar, directa ou indirecta;
    • Contactar e acompanhar os idosos e outras pessoas que vivam isoladas. Assegurar a sua correta hidratação e permanência em ambiente fresco e arejado;
    • Ter cuidados especiais no caso das grávidas: moderar a actividade física, evitar a exposição directa ou indirecta ao sol e garantir a ingestão frequente de líquidos.

Se persistirem dúvidas, ligue para o Centro de Atendimento do Serviço Nacional de Saúde – 808 24 24 24.

Informação sobre fogos em território nacional AQUI

Quanto à calamidade que hoje atinge Pedrógão Grande, a Caixa Geral de Depósitos criou uma conta solidária, Unidos por Pedrógão, e doou 50 mil euros para apoiar as vítimas da tragédia.

Se se quiser juntar a esta causa, os dados da conta solidária são os seguintes:

Conta Solidária Caixa: 0001 100000 330

IBAN: PT50 0035 0001 00100000 330 42

 

Foram decretados três dias de luto nacional.

 

O Gaibéu está solidário com o sofrimento das vítimas, das suas famílias e dos desalojados, bem como com todos os operacionais que estão no terreno e que ainda travam esta difícil luta contra o terrível incêndio que lavra Pedrógão Grande.  Está também solidário com todos os soldados da paz, onde quer que estejam, hoje e sempre.

 

Imagem: Pixabay

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Profissionalmente tem feito imensas coisas, no entanto, aqui só se encontrará a parte civilizada. Lê livros, conta histórias, estuda um pouco de tudo, o que lhe dá a capacidade de ver o mundo numa perspectiva alargada e de aprender depressa. Nunca pára de aprender. Vive numa insaciável busca por conhecimento e pela melhoria das suas aptidões. Gosta de fazer bem, privilegia sempre a competência e segura-a no seu horizonte. Se lhe perguntarem o que gosta mesmo de fazer, dirá que gosta de ler, escrever e de contar histórias. Por isso, escreve coisas em várias vozes. Eleva cada voz a um desafio que leva até ao fim e lhe serve de combustível. Escreve em plataformas Blogger, WordPress, papel ou na areia da praia. Conta histórias em vídeo, áudio, ou texto. E edita-as todas, porque, acredita, é na edição que está a arte. A quem interessar, nos espaços temporais que deixa em aberto, carregou fardos de palha, sacas de ração e carrinhos-de-mão cheios de estrume. Também trabalhou muitos cavalos e deu aulas de equitação, entre tantas outras coisas.

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