Cidades com cabeça e coração, precisam-se

Maria José Vitorino

Maria José Vitorino

É professora desde 1976, bibliotecária desde 1990 e formadora certificada desde 1998. Publica regularmente artigos e comunicações em publicações especializadas, Congressos e Seminários, integrando a equipa de peer-review da IASL. Tem participado na organização de Conferências, Encontros e outros eventos nacionais e internacionais. Entre 1998 e 2014, trabalhou na Rede de Bibliotecas Escolares apoiando projetos e equipas de diversos concelhos. De 2004 a 2008, coordenou, com Amália Bárrios e Ana Melo, o THEKA Projeto Gulbenkian de Formação de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares. Licenciada em História (1977), é pós-graduada em Ciências Documentais-Bibliotecas e Documentação (1990) e em Gestão e Curadoria da Informação (2015), e mestre em Ciências da Educação - Educação e Leitura (2007). Participa como associada e dirigente em diversas associações, nacionais e internacionais, tais como: BAD Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, APMNR Associação Promotora do Museu do Neorealismo, APCEP Associação Portuguesa de Cultura e Educação Permanente, IASL International Association for Schoollibrarianship, ENSIL European Network for School Libraries and Information Literacy, Associação Forum Manifesto. É aderente do Bloco de Esquerda desde a sua fundação. Em 2009 recebeu o prémio IASL Schoollibrarianship e em 2010 oCidadão d'Honra-Mérito Cultural atribuído pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira. Fundou em 2014 a Laredo Associação Cultural, sendo membro da Direção. Reside em Vila Franca de Xira.
Maria José Vitorino

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ENTREVISTA
Estado coloca à venda terrenos da ex-Lisnave no início de 2019

Miguel Cruz, presidente da Parpública, holding que agrega várias participações e activos imobiliários do Estado, diz que no primeiro trimestre do próximo ano serão colocados à venda os 630 mil metros quadrados de área de construção ligados à Margueira, na margem sul do Tejo.

Desafiada pelos jornais de agora, paro para pensar no que aí vem, e no que podemos fazer para que seja melhor e diferente do que temos tido. Moro na Grande Lisboa. Habito uma parte do planeta em que se antevê aplicação de capitais financeiros vultuosos para construção em áreas significativas sem que o cidadão comum perceba que resultado desenhamos para essa enorme cidade que o Tejo marca, até ao mar. Das antigas Escolas da Armada (Vila Franca de Xira até à antiga Lisnave (Almada), passando pela antiga Feira Popular e a parte poente de Marvila (Lisboa), o previsto novo aeroporto (Montijo) e ainda por projetos no arco ribeirinho que inclui a antiga Lisnave (Barreiro, Almada, Seixal).
Quando começaremos a ser capazes de imaginar desenvolvimento do território sem ser apenas com betão e mais betão? E a conseguir que a cidade seja um projeto das pessoas e com elas, ouvindo os cidadãos, os seus medos e desejos, ou seja… democrático? Em vez de um território de torneio entre interesses restritos de produtos “do costume” (Prédios e mais prédios, em vez de, por exemplo, Jardins, ambos produtos de atividades económicas,. e geradores de criação, produção, fruição…).
Mais uma vez, discutindo cidades, desenhamos o território, mas o maior desafio é a democracia e a cultura democrática, esse terreno de labor a longo prazo em que os livros nos ajudam e a leitura é essencial.
Leitura útil destes dias :
Wook.pt - A Cidade na Encruzilhada
João Seixas, A cidade na encruzilhada : repensar a cidade e a sua política. Edições Afrontamento, 2013.  https://www.wook.pt/…/a-cidade-na-encruzilhada…/15248870
Existe nas Bibliotecas de Vila Franca de Xira
Recomendo ainda a recensão de Simone Tulumello, 2013, aqui , que, descrevendo de forma clara o conteúdo da obra,  vai mais longe, e interpela autores e leitores :
“Ao mesmo tempo em que se reformava a máquina administrativa utilizando alguns dos princípios delineados neste livro (principalmente descentralização e qualificação), as políticas urbanas aplicadas no contexto da crise privilegiavam a competitividade sobre a coesão e até fomentavam a apropriação de algumas práticas participativas para agendas de carácter neoliberal (Tulumello, 2015). Será que a reinvenção da governação, se não for acompanhada por uma clara visão política de cariz progressista (ou até radical?), pode resultar na exaltação das mesmas tendências que quer contrastar? “
“O papel dos movimentos sociais, por exemplo, e mais em geral das críticas de ordem estrutural à hegemonia do sistema neoliberal é deixado numa posição marginal no livro: será, enfim, que a reinvenção da política na cidade é possível no quadro das estruturas presentes? Esta pergunta não tem resposta no livro. Por um lado o «optimismo da prática» de Seixas parece sugerir que sim, será possível, sobretudo pela capacidade das cidades se organizarem em torno de visões construídas de forma deliberativa. Por outro lado, porém, os desafios levantados ao longo do texto podem sugerir que a mudança necessária é de ordem mais estrutural (uma nova hegemonia cultural e económica). É nesta encruzilhada, a meu ver, que o debate sobre o futuro da democracia urbana se irá desenvolver nos próximos tempos.” (p. 4)

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É professora desde 1976, bibliotecária desde 1990 e formadora certificada desde 1998. Publica regularmente artigos e comunicações em publicações especializadas, Congressos e Seminários, integrando a equipa de peer-review da IASL. Tem participado na organização de Conferências, Encontros e outros eventos nacionais e internacionais. Entre 1998 e 2014, trabalhou na Rede de Bibliotecas Escolares apoiando projetos e equipas de diversos concelhos. De 2004 a 2008, coordenou, com Amália Bárrios e Ana Melo, o THEKA Projeto Gulbenkian de Formação de Professores para o Desenvolvimento de Bibliotecas Escolares. Licenciada em História (1977), é pós-graduada em Ciências Documentais-Bibliotecas e Documentação (1990) e em Gestão e Curadoria da Informação (2015), e mestre em Ciências da Educação - Educação e Leitura (2007). Participa como associada e dirigente em diversas associações, nacionais e internacionais, tais como: BAD Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, APMNR Associação Promotora do Museu do Neorealismo, APCEP Associação Portuguesa de Cultura e Educação Permanente, IASL International Association for Schoollibrarianship, ENSIL European Network for School Libraries and Information Literacy, Associação Forum Manifesto. É aderente do Bloco de Esquerda desde a sua fundação. Em 2009 recebeu o prémio IASL Schoollibrarianship e em 2010 o Cidadão d'Honra-Mérito Cultural atribuído pela Junta de Freguesia de Vila Franca de Xira. Fundou em 2014 a Laredo Associação Cultural, sendo membro da Direção. Reside em Vila Franca de Xira.

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