Brexit: A derrota da Europa do Capital

Luís Capucha

Luís Capucha

Sociólogo, professor no Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, desde 1987. Coordenador do Mestrado em Administração Escolar no ISCTE-IUL.
Os principais temas de pesquisa são as políticas de luta contra a pobreza e a exclusão social, as políticas sociais, as políticas de educação e de formação, as culturas populares, a reabilitação de pessoas com deficiência e as metodologias de planeamento e avaliação. É autor de livros, capítulos de livros e artigos de revista e outros títulos (mais de uma centena de títulos) publicados em Portugal, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália, Brasil e Angola. Apresentou comunicações e Conferências em cerca de duzentos encontros científicos em Portugal e no estrangeiro. Foi Director-Geral do Departamento de Estudos, Prospetiva e Planeamento do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social (1998-2001), Director-Geral da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação (2006-2008) e Presidente da Agência Nacional para a Qualificação (2008-2011). Foi membro do Comité de Emprego da União Europeia. É membro do Conselho Nacional de Educação. É um colaborador ativo de associações diversas, de caráter social, profissional e local.
Escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990.
Luís Capucha

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O processo de construção da União Europeia sofreu um duro revés com a saída, daqui a pouco tempo, da Grâ-Bretanha (vamos ver se toda, ou se apenas a Inglaterra e o País de Gales).

Na verdade, as coisas já há muito tempo – desde a saída de Jacques Dellors da Comissão – estavam a ir por maus caminhos. A União crescia em número de membros, mas resumia-se cada vez mais às políticas económicas e financeiras. Há muito que as instituições europeias deixaram de se bater pela Europa dos Cidadãos e por uma União política e social. Afastaram-se dos cidadãos e dos seus anseios, para servir os mercados e os mega-agentes económicos. Ora, essa política, que não é só europeia, mina a confiança dos cidadãos nas instituições, degrada o bem-estar social (parece que certas instituições se preocupam mais com o bem-estar animal) e abre terreno à intolerância e à xenofobia. O egoísmo nacionalista – que no Reino Unido foi sempre particularmente forte – e o euroceticismo desviaram a União do caminho que vinha trilhando, e as consequências começam a notar-se.

Muitos estão preocupados com os problemas económicos que se vão gerar, com disputas territoriais como a de Gibraltar, com fracionamentos como o que pode ocorrer na Escócia, com possíveis decisões de saída de outros países cujos cidadãos sentem que a UE não está lá para os servir. Eu preocupo-me mais com outras questões: o crescimento da intolerância e da violência praticada por grupos fanáticos de origens diversas, o nacionalismo míope que grassa na Europa e a incapacidade de a União se aprofundar e concluir o edifício institucional que lhe permita ajudar os Estados-Membros e a própria União a resolver os problemas dos seus cidadãos. Preocupa-me a coesão e a integração, de tão ameaçadas que estão.

Nos últimos 70 anos, a UE foi o principal garante da paz e da prosperidade na Europa. Serão os Europeus tão estúpidos que queiram deitar fora esse bem tão difícil de construir? Os Britânicos foram-no (embora tenhamos de respeitar a sua soberania, o que não torna o voto da maioria menos estúpido). E os outros?

Imagem: Wikimedia Commons (alterada)

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Sociólogo, professor no Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, desde 1987. Coordenador do Mestrado em Administração Escolar no ISCTE-IUL. Os principais temas de pesquisa são as políticas de luta contra a pobreza e a exclusão social, as políticas sociais, as políticas de educação e de formação, as culturas populares, a reabilitação de pessoas com deficiência e as metodologias de planeamento e avaliação. É autor de livros, capítulos de livros e artigos de revista e outros títulos (mais de uma centena de títulos) publicados em Portugal, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália, Brasil e Angola. Apresentou comunicações e Conferências em cerca de duzentos encontros científicos em Portugal e no estrangeiro. Foi Director-Geral do Departamento de Estudos, Prospetiva e Planeamento do Ministério do Trabalho e Solidariedade Social (1998-2001), Director-Geral da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular do Ministério da Educação (2006-2008) e Presidente da Agência Nacional para a Qualificação (2008-2011). Foi membro do Comité de Emprego da União Europeia. É membro do Conselho Nacional de Educação. É um colaborador ativo de associações diversas, de caráter social, profissional e local. Escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990.

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