A sociedade dos monstros modernos

José Gabriel Quaresma
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José Gabriel Quaresma

José Gabriel Quaresma tem 47 anos, é de Vila Franca de Xira, jornalista há 24 anos, pai de dois filhos, corre meias maratonas, treina Muay Thai na Escola ZFortes, em Vila Franca de Xira, faz televisão desde sempre.

Apresentador de notícias na TVI24, editor sénior da 25 HORA (Meia Noite), apresentou programas de desporto durante 13 anos.

É grande repórter.

Professor de Jornalismo Televisivo e Mediatrainer na Academia da Força Aérea Portuguesa.

É blogger no The Cat Run , Insónias e Gaibéu.
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O paradigma mudou.

A forma como as pessoas comunicam alterou-se profundamente.

Bem sei que isso está à vista do mundo inteiro, o problema é quando a comunicação esventra todas as convenções básicas e fundamentais no relacionamento entre um e outro.

A liberdade de cada qual termina quando começa a responsabilidade criminal.

Dito assim, parece uma coisa daquelas que lemos e que passam ao lado.

Mas não é.

É nessa altura que começa a chacina.

O horror, perceber que metade do mundo sabe que o paradigma mudou, mas não sabe lidar com essa mudança.

Pensa, esse meio mundo, no entanto, que acha que sim, que comunica, e comunica.

Mais que comunica, revela-se.

O horror assume contornos de surreal quando a outra metade do mundo, a que sabe, de facto, utilizar a dádiva dos deuses digitais, a aproveita e tenta moralizar. É imediatamente fuzilada pelos guardiões da sua própria verdade.

A mudança do paradigma é um desafio que obriga ao apelo à inteligência, coisa que não abunda e isso provoca danos no processo.

É que há uma diferença entre Edison, ou Bell, ou Einstein, ou Gates, ou Jobs, ou DaVinci e Zucker e seus derivados,

É que os primeiros só deixaram as vítimas do seu génio sozinhas quando eles morreram.

Eles mudaram paradigmas.

Os últimos deixaram as vítimas à sua sorte, ainda em vida.

O Facebook, o Twitter e outras redes que desconheço contribuem para as alterações climáticas, cada vez mais agrestes, pela toxicidade que libertam para o ar. O Instagram tenta resistir às tentativas de invasão, tenta manter todo o seu glamour, o LinkedIn é outra coisa, um lugar onde as pessoas se sentam numa enorme sala de espera, esperando nem elas sabem bem o quê.

Enquadrando,

os protagonistas das mudanças de paradigmas devem, eles próprios, ter sentido de Estado.

O criador do monstro não o pode deixar à solta, ele tem que balizar, definir, restringir, sancionar, prender o monstro até que ele saiba comportar-se em sociedade, na sociedade dos monstros modernos.

Não acredito que os novos revolucionários do mundo pensem que criaram um monstro e ele que se desenrasque. Não, eles estão apenas a assistir, ao vivo, à cadeia alimentar no seu ritmo desenfreado.

A presa e o predador.

O que o tal meio mundo parece não ter entendido, ainda, é que nada disto é virtual, nem mesmo a lâmpada ou o telefone, nem mesmo a relatividade, nem mesmo a gravidade, nem mesmo a Cloud da maçã, ou a geringonça.

Nem mesmo as redes sociais, muito menos elas.

Elas são o telefone, a lâmpada, a relatividade, a gravidade, a maçã. Elas são a geringonça.

Elas não passam de um grande megafone armado em parvo.

No fim do genocídio, corpos de letra espalhados pelo chão, frases amputadas dos membros, vídeos e fotos carentes de uma bola vermelha no canto superior direito, às sem H, “sentemse” sem hífen, ou fala-se mais com hífen a mais, no fim do genocídio recolhem-se os despojos do dia, apagam-se memórias, bloqueiam-se vozes e fazemos log off.

No dia seguinte tudo recomeça, porque o paradigma mudou.

Li ontem que há clínicas, médicos e métodos para tratar as doenças e os vícios das redes sociais.

Esqueça tudo o que leu sobre os génios,

fique nesta última frase:

é que nada disto é virtual.

Há meio mundo que ainda vive dentro da caverna, mas um dia vai entender que do lado de fora existe a luz.

Pode é demorar muito tempo.


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José Gabriel Quaresma tem 47 anos, é de Vila Franca de Xira, jornalista há 24 anos, pai de dois filhos, corre meias maratonas, treina Muay Thai na Escola ZFortes, em Vila Franca de Xira, faz televisão desde sempre.

Apresentador de notícias na TVI24, editor sénior da 25 HORA (Meia Noite), apresentou programas de desporto durante 13 anos.

É grande repórter.

Professor de Jornalismo Televisivo e Mediatrainer na Academia da Força Aérea Portuguesa.

É blogger no The Cat Run , Insónias e Gaibéu.

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