Pure Music Rod

Sofia T

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Profissionalmente tem feito imensas coisas, no entanto, aqui só se encontrará a parte civilizada.
Lê livros, conta histórias, estuda um pouco de tudo, o que lhe dá a capacidade de ver o mundo numa perspectiva alargada e de aprender depressa. Nunca pára de aprender. Vive numa insaciável busca por conhecimento e pela melhoria das suas aptidões.

Gosta de fazer bem, privilegia sempre a competência e segura-a no seu horizonte.

Se lhe perguntarem o que gosta mesmo de fazer, dirá que gosta de ler, escrever e de contar histórias. Por isso, escreve coisas em várias vozes. Eleva cada voz a um desafio que leva até ao fim e lhe serve de combustível.

Escreve em plataformas Blogger, WordPress, papel ou na areia da praia. Conta histórias em vídeo, áudio, ou texto. E edita-as todas, porque, acredita, é na edição que está a arte.

A quem interessar, nos espaços temporais que deixa em aberto, carregou fardos de palha, sacas de ração e carrinhos-de-mão cheios de estrume. Também trabalhou muitos cavalos e deu aulas de equitação, entre tantas outras coisas.
Sofia T

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Rodrigo Silva é Rod Tha Funk, ex-DJ Rod. Está no DJing há já 18 anos e como profissional há 15. É a música que lhe dá voz. A música, a paixão e a humildade com que encara a sua arte

Entrou no DJing (a tocar enquanto disc jockey) com 17 anos. A influência do pai, que ouvia muita e boa música, e um convite para “meter uns discos” no Amnésia Bar em Vila Franca de Xira abriram as portas à profissão que hoje Rodrigo abraça.

Rodrigo Silva, ou Rod Tha Funk, já tocou em vários locais do país. Andou por casas como o Kremlin, Plateau, Alcântara-Mar, Fashion House, Kadoc, Kiss, Golden Stone, Soho Club ou Rua Direita, mas foi no palco da Av. Pedro Victor, nas Festas do Colete Encarnado que sentiu uma maior ligação ao público, por ser um “público especial”, o da sua terra.

Colete Encarnado 2015

“Outros tempos, outras gentes, outras músicas, outras danças”

Rod Tha Funk toca sempre de improviso, até hoje, a sua linha é o Pure House Music. Procura uma ligação com o público para contar a sua história, que pode ir alterando conforme quem tem à frente. Rodrigo fala através da música e sente a necessidade de comunicar com quem o ouve, porque ser DJ é isso, “falar para as pessoas através da música”.

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Rod Tha Funk no Rio Spot na Praia dos Pescadores, Póvoa de Santa Iria

Diz que dantes, antes da Era Digital e das playlists terem invadido o DJing, “tocava-se para o gajo que vinha bêbado, para o gajo que vinha abrir a pista, para o que vinha para o engate”. Gosta essencialmente da ligação que estabelece com o público e sente que isso agora já não é tão possível. “O público hoje é muito festivaleiro. […] Dantes, havia o contacto com as pessoas, as pessoas falavam.”

A música invade a sua vida em todos os momentos, ouve-a de todos os tipos hoje e desde sempre. Realça a importância dos Dire Straits, sua banda preferida, na sua vida, os quais imitava em pequeno. [Tem até uma fotografia em criança com uma fita na cabeça e uma raquete a fazer de guitarra ao estilo do Mark Knoffler (vocalista da banda)].

O “soul, funk & jazz” é a fonte de inspiração para as suas actuações, mas não deixa de ouvir outros géneros musicais. Fá-lo porque gosta e porque um DJ deve ter cultura musical.

Trabalha várias vezes em conjunto com outros DJs, tanto em DJing como na sua produtora LOGIC SOUL Prod e prefere sempre “uma boa pessoa a uma pessoa cheia de talento”. Dá valor à humildade e à simplicidade nas relações e na profissão, qualidades que também o caracterizam. “Ainda há boas pessoas”, sublinha.

No trabalho, Rodrigo Silva valoriza quem consegue “construir uma pista”. “Um DJ a sério tem que começar com a casa vazia, com as paredes a zero, e pô-la à pinha. Tem que ter paixão, dedicação e cultura musical, apresentar sempre coisas novas e dominar a técnica”.

 

“Era o pessoal do abraço, agora é o pessoal do like

Do início da carreira e do tempo do vinil, sente falta do contacto com as pessoas. “Era o pessoal do abraço, agora é o pessoal do like”. E do contacto com os discos. “Não há nada como tocar no vinil: o cheiro, o toque, a própria saída do PA [sistema de som]. O som tem sempre outro groove, é mais quente. O formato digital é mais limpo, é como o do CD, é sempre mais aberto”.

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“Há uns que têm e outros não têm: o ouvido e o dedo”

Nos primeiros meses de transição do vinil para o digital, que foi obrigado a fazer há cerca de três anos, o corpo não se adaptava à mudança: “Ainda tinha o tique dos discos, o meu braço parecia que tinha uma deficiência, não ia ao computador. Quando estava a misturar, o meu corpo andava sempre à procura do prato… Não há nada como tocar o vinil”, acrescenta.

Mas os tempos mudam e Rodrigo teve de se adaptar às novas tecnologias ou não conseguiria tanto trabalho, ao contrário de alguns colegas que não foram acompanhando a evolução e acabaram por ficar em casa sem poder trabalhar, porque há casas que já não têm pratos.

E a maioria das casas deixaram de trabalhar pela cultura musical. “O segredo da noite de Lisboa era ter aquele DJ, que era o tal, que sabia jogar com o cliente. Até às 2h da manhã tínhamos que ter a pista cheia e o pessoal a beber copos. […] Um DJ é um condutor de emoções que consegue passar a boa vibe, mas depois também há aqueles que não passam nada, passam só os hits. Actualmente, há quem abra o computador e ponha a tocar aquela lista que tem ali. Perdeu-se um bocado o carisma da noite de Lisboa.”

 

“Sempre estive na noite de alma e coração”

Rod Tha Funk vive de noite e da noite. “Hoje em dia já não conseguia viver ao contrário”, afirma. Acorda por volta das 14h, mas tenta sempre ir buscar o filho ao infantário para aproveitar a família e os momentos em que os horários se cruzam até escurecer, quando sai para trabalhar.

“A noite deixa de ter mistério… As pessoas revelam-se na noite.”

Rodrigo Silva – DJ Rod – Rod Tha Funk

Rod Tha Funk vem de DJ Rod e do percurso pelas rádios. Tocou na Rádio Lezíria, Ateneu, M80 e Mix FM. Chegou mesmo a tocar ao vivo, num programa chamado “Happy Hour” de que tem boas recordações.

Na Mix FM, que era das rádios que passavam bem a cultura DJing, acharam que só DJ Rod não soava bem, que faltava ali qualquer coisa. A produtora deu-lhe várias hipóteses e uma delas era Rod Tha Funk, de que Rodrigo gostou, devido à sua ligação à música funk, como a de Jamiroquai. Escolheu-o e até hoje é este o seu nome artístico.

 

“Irei sempre tocar, nem que toque para a parede, como quando era mais novo”

O projecto principal para os próximos 15 anos é continuar a tocar: “Nada, nem a produção, há-de estar à frente de tocar”. Quer também continuar nos seus originais e na produção, mas com calma, dando uma passo de cada vez para garantir a qualidade. “Daqui a um ano, espero ter o meu primeiro projecto original na rua, o meu primeiro tema só feito por mim, música electrónica, neste caso pure house music. Depois tenho projectos que já vêm de trás e que quero continuar, na produtora, de agenciamento e com artistas”.

Vai estar este mês no Algarve, cumprindo a sua tradicional “Algarve Summer Tour”. E depois volta para cima: podem encontrá-lo no Lado B, em Vila Franca de Xira, no dia 9 de Setembro e no Kremlin, em Lisboa, no dia 16 para continuar na noite e na música. Sempre pure.

Fotografia: Helder Bento

 

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Profissionalmente tem feito imensas coisas, no entanto, aqui só se encontrará a parte civilizada. Lê livros, conta histórias, estuda um pouco de tudo, o que lhe dá a capacidade de ver o mundo numa perspectiva alargada e de aprender depressa. Nunca pára de aprender. Vive numa insaciável busca por conhecimento e pela melhoria das suas aptidões. Gosta de fazer bem, privilegia sempre a competência e segura-a no seu horizonte. Se lhe perguntarem o que gosta mesmo de fazer, dirá que gosta de ler, escrever e de contar histórias. Por isso, escreve coisas em várias vozes. Eleva cada voz a um desafio que leva até ao fim e lhe serve de combustível. Escreve em plataformas Blogger, WordPress, papel ou na areia da praia. Conta histórias em vídeo, áudio, ou texto. E edita-as todas, porque, acredita, é na edição que está a arte. A quem interessar, nos espaços temporais que deixa em aberto, carregou fardos de palha, sacas de ração e carrinhos-de-mão cheios de estrume. Também trabalhou muitos cavalos e deu aulas de equitação, entre tantas outras coisas.

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