Pizzas (ou como quebrar a rotina da semana)

Maria João Martinho
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Maria João Martinho

Historiadora da Arte de formação, trabalha desde 1999 na área do Património Cultural.
Adora cozinhar desde muito jovem, nutrindo um grande entusiasmo pela investigação de gastronomias internacionais, pela cozinha vegetariana e pela saúde baseada na prática alimentar.
A par da sua profissão, encontra-se actualmente envolvida em alguns projectos na vertente gastronómica, designadamente o projecto "Cozinha com Histórias", a decorrer no Palácio do Sobralinho, onde concilia a história dos alimentos à confecção de menus de degustação temáticos.
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Decidi que o artigo de hoje seria um pouco mais pessoal, focado nas vivências da família cá de casa.

Somos uma família de rotinas, indispensável forma de nos mantermos equilibrados e saudáveis. Estas rotinas tornam-se, na minha opinião, imprescindíveis, quando dela fazem parte crianças, porque permitirão formar jovens e adultos capazes de enfrentar da melhor forma os desafios que lhes surjam ao longo das suas vidas.

Por essa razão, as nossas refeições principais cá em casa (que se resumem, durante a semana, ao jantar, como acontecerá à maior parte de vós), são passadas à mesa e a horas certas. Garantimos, deste modo, que os miúdos vão para a cama cedo e durmam as horas que é suposto.

Quando chega o fim-de-semana, que é motivo de euforia geral, sentimos que as regras e a rotina podem (e devem) ser quebradas, para (e isto pode parecer um contra-senso, mas não é) mantermos o equilíbrio. À sexta e ao sábado podemos todos deitarmo-nos mais tarde e, por conseguinte, comer mais tarde.

A rotina foi feita para se quebrar e sabe tão bem!

Ao domingo, outra regra é quebrada: não comemos à mesa, comemos no sofá. Para facilitar a logística, optei por instituir o jantar da pizza! Os miúdos ficam sempre histéricos e sei que nesse dia não tenho de insistir para que comam, porque o fazem sem necessidade de apelos!

Como sabem, tento não perder de vista a ideia das refeições saudáveis e por isso construo as pizzas desde a sua base, garantindo que sei o que estamos a comer.

Faço a massa da pizza com uma percentagem de farinha integral e tenho experimentado algumas alternativas ao trigo que, nos tempos que correm, parece não ser a mais saudável das opções, por causa das motivações cegas de quem se decide pelo lucro a qualquer preço, resultando nas alterações perigosas aos alimentos, como é o caso dos produtos geneticamente modificados.

Actualmente já temos farinhas alternativas em algumas lojas de especialidade ou nas secções de alimentação saudável das grandes superfícies: da minha parte já experimentei com sucesso a espelta (branca e integral) e o centeio e ando de olho noutras, mas tudo a seu tempo.

Dir-me-ão com razão que são produtos consideravelmente mais caros. No entanto, seguindo a máxima do “menos é mais”, opto actualmente por comprar menores quantidades de produtos alimentares que sei que serão mais saudáveis (as hortícolas, frutas e carnes biológicas, os cereais integrais, o peixe de captura pescado de forma sustentável, os ovos caseiros, etc.), em vez de adquirir quantidades maiores de produtos de origem duvidosa, provavelmente carregados de pesticidas e antibióticos, entre outros.

Quanto aos recheios, bom, eles dependem dos gostos de cada um: cá por casa, há os mais minimalistas, que se resumem à utilização de pouco mais do que tomate e queijo; existe, por contraponto, aqueles que fazem uso de tudo o que existe na despensa e/ou no frigorífico!

Os pequenos preparam muitas vezes as suas próprias pizzas e quando há visitas de amigos deles a coisa torna-se particularmente estimulante!

Esta é a versão mais repetida cá em casa, e não podia ser mais portuguesa
Esta é a versão mais repetida cá em casa, e não podia ser mais portuguesa

Deixo-vos aqui duas sugestões que correspondem a algumas das variantes de pizza mais consumidas por cá, uma mais petisqueira e porventura menos saudável, e uma outra mais virada para os vegetarianos, ou para os flexitarianos como eu (um dia dedico-me a falar convosco sobre este conceito) que gostam com frequência de comer um bom prato sem carne ou peixe.

Pizza de chouriço e azeitonas

Depois de ir a forno, a massa fica estaladiça e os ingredientes deliciosos
Depois de ir a forno, a massa fica estaladiça e os ingredientes deliciosos

 

Ingredientes para a massa da pizza

(receita adaptada do livro base da Bimby, pág. 26)

| 200 g água

| 50 g azeite

| 1 colher chá sal

| 1 saqueta fermento padeiro seco

| 300 g farinha de trigo sem fermento T 65 ou de espelta branca

| 100 g farinha integral (trigo, espelta, trigo sarraceno, ou outra que entendam)

 

Preparação

  1. Amornar a água, azeite já temperados com o sal.
  2. Adicionar o fermento para o deixar actuar e em seguida as farinhas.
  3. Amassar à mão durante cerca de 5 minutos e deixar repousar a massa por 30 minutos em local morno, para levedar.
  4. Findo esse tempo, estender a massa bem fina em superfície enfarinhada (esta quantidade dá para duas pizzas grandes ou várias pequenas).

 

Ingredientes para o recheio

| 1/2chouriço cortado em rodelas

| azeitonas pretas descaroçadas

| 100 g cogumelos frescos laminados

| polpa de tomate ou molho de tomate preparado caseiramente

| queijo mozzarella ralado

 

Preparação

  1. Colocar um pouco do molho ou polpa de tomate e distribuir pela base da pizza.
  2. Colocar os restantes ingredientes, à excepção do queijo.
  3. Cobrir com o mozzarella e levar a forno pré-aquecido a 180 C, durante cerca de 15 minutos ou até gratinar a vosso gosto.

 

Pizza vegetariana

Esta versão faz uso de ingredientes mais próprios dos pratos italianos e, para além de deliciosa, é uma versão muito saudável
Esta versão faz uso de ingredientes mais próprios dos pratos italianos e, para além de deliciosa, é uma versão muito saudável

 

Ingredientes para a massa da pizza

| 200 g água

| 50 g azeite

| 1 colher chá sal

| 1 saqueta fermento padeiro seco

| 300 g farinha de trigo sem fermento T 65 ou de espelta branca

| 100 g farinha integral (trigo, espelta, trigo sarraceno, ou outra que entendam)

 

Preparação

  1. Amornar a água, azeite já temperados com o sal.
  2. Adicionar o fermento para o deixar actuar e em seguida as farinhas.
  3. Amassar à mão durante cerca de 5 minutos e deixar repousar a massa por 30 minutos em local morno, para levedar.
  4. Findo esse tempo, estender a massa bem fina em superfície enfarinhada (esta quantidade dá para duas pizzas grandes ou várias pequenas).

 

Ingredientes para o recheio

| tomates cereja

| pesto caseiro feito com manjericão, parmesão, azeite e amêndoas

| mozarella fresca, ou queijo atabafado de cabra ou queijo feta

| folhas de manjericão

 

Preparação

  1. Colocar um pouco do pesto e distribuir pela base da pizza.
  2. Colocar os restantes ingredientes.
  3. Levar a forno pré-aquecido a 180 C, durante cerca de 15 minutos ou até gratinar a vosso gosto.

 

Existem múltiplas hipóteses de recheios, pelo que dêem largas à vossa imaginação, com base nos vossos gostos pessoais e aventurem-se na cozinha! Promovam uma sessão de cinema em casa à hora do jantar, para fugirem da rotina e divirtam-se em família!

 

Cozinha com Histórias:

Aproveito ainda a ocasião para vos dar a conhecer um dos meus projetos pessoais, o “Cozinha com Histórias”, que partilho com a Cristina Rodrigues Pereira e a Sasha Lima.

As sessões decorrem entre a cozinha e um dos salões do Palácio do Sobralinho e dão a conhecer aos participantes a história de um determinado ingrediente, a sua importância e usos ao longo dos tempos, culminando com um momento de degustação com propostas gastronómicas que, no caso das sessões que preparo com a Cristina, são por nós confeccionadas, após uma cuidada planificação e experimentação.

De hoje a uma semana, no dia 9 de abril, teremos a 6ª sessão desta iniciativa, que vai ser dedicada ao tema do chocolate.

Dá pelo nome de “Xocoatl: do amargo ao doce” e apresenta um menu de degustação que vai precisamente ao encontro da evolução do cacau na sua origem, passando pela entrada na Europa e utilizações pelos mestres chocolateiros e finalizando numa proposta baseada nas experimentações laboratoriais que alguns cientistas procuram produzir para os grandes chefs para chegarem às combinações perfeitas de ingredientes. Bom, mais não vos digo, para que possam visitar-nos nessa ocasião e desfrutar de uma tarde que se adivinha agradável e plena de sabores.

Abaixo,  deixo-vos a divulgação que o Gaibéu teve a amabilidade de promover!

Bom fim-de-semana e bons cozinhados!

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Historiadora da Arte de formação, trabalha desde 1999 na área do Património Cultural. Adora cozinhar desde muito jovem, nutrindo um grande entusiasmo pela investigação de gastronomias internacionais, pela cozinha vegetariana e pela saúde baseada na prática alimentar. A par da sua profissão, encontra-se actualmente envolvida em alguns projectos na vertente gastronómica, designadamente o projecto "Cozinha com Histórias", a decorrer no Palácio do Sobralinho, onde concilia a história dos alimentos à confecção de menus de degustação temáticos.

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