João Moleira escreve “O que nasce torto também se endireita”

Sofia T

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Profissionalmente tem feito imensas coisas, no entanto, aqui só se encontrará a parte civilizada.
Lê livros, conta histórias, estuda um pouco de tudo, o que lhe dá a capacidade de ver o mundo numa perspectiva alargada e de aprender depressa. Nunca pára de aprender. Vive numa insaciável busca por conhecimento e pela melhoria das suas aptidões.

Gosta de fazer bem, privilegia sempre a competência e segura-a no seu horizonte.

Se lhe perguntarem o que gosta mesmo de fazer, dirá que gosta de ler, escrever e de contar histórias. Por isso, escreve coisas em várias vozes. Eleva cada voz a um desafio que leva até ao fim e lhe serve de combustível.

Escreve em plataformas Blogger, WordPress, papel ou na areia da praia. Conta histórias em vídeo, áudio, ou texto. E edita-as todas, porque, acredita, é na edição que está a arte.

A quem interessar, nos espaços temporais que deixa em aberto, carregou fardos de palha, sacas de ração e carrinhos-de-mão cheios de estrume. Também trabalhou muitos cavalos e deu aulas de equitação, entre tantas outras coisas.
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João Moleira é jornalista desde que se lembra. Nasceu em Vila Franca de Xira e vive em Alverca. É a cara da Edição da Manhã da SIC e da SIC Notícias, apresenta e coordena o Primeiro Jornal da estação principal aos fins-de-semana. Escreveu "O que nasce torto também se endireita" e falou ao Gaibéu sobre o livro, sobre o concelho e sobre jornalismo

Há um ditado popular que diz "Deus escreve direito por linhas tortas".

Nesta história, não foi Deus, mas João Moleira, jornalista da SIC que, ao contrário de Deus, escreveu, por linhas direitas, o livro O que nasce torto também se endireita, contrariando um outro velho ditado que diz "quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita".

Não, este livro não é uma colecção de ditados populares, mas um conjunto de histórias de invenções, objectos e alimentos que todos conhecem e que surgiram de forma engraçada, por engano ou até mesmo de forma dramática, provando que nem tudo o que "nasce torto" está condenado ao fracasso. Por vezes, muito pelo contrário, torna-se um sucesso.

O livro foi apresentado esta segunda-feira, na FNAC do Centro Comercial Colombo, em Lisboa

Eu acho que é um livro sem idades-alvo, mas claramente, mesmo sendo suspeito, este é um livro que eu iria ler enquanto jovem, porque era curioso e porque o saber não ocupa lugar"

O livro
  • ​Este é o seu primeiro livro. O que o levou a escrevê-lo?

Foi um convite que me foi feito pela Manuscrito e que decidi aceitar.

  • Como surgiu a ideia de contrariar o ditado português que diz "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita" para escrever um livro que se propõe desmenti-lo em mais de 125 histórias?
É o tipo de livro que gostaria de ter feito nesta fase da minha vida, precisamente por ser o primeiro e por ter muito a ver comigo. Eu gosto naturalmente deste tipo de curiosidades, desde muito novo que procurava todo o tipo de informação que muita gente considera inútil, mas que eu sempre entendi como cultura geral que, no meu caso pessoal, até já tem feito a diferença no exercício da minha profissão. Portanto, por ser algo de que eu gosto tanto, fez sentido que o livro fosse sobre alguns destes factos. O título surge precisamente da desconstrução desse ditado porque o fio condutor destas histórias é precisamente esse... coisas, situações ou vidas que tinham tudo para correr mal e, afinal, correram muito bem.
 
  • Na sua opinião, estas histórias poderão dar alento a quem tem a ideia de que nasceu “torto” de forma a lutar pelos seus ideias e a nunca desistir?
Não foi esse o propósito do livro. Está longe de querer ser um livro de auto-ajuda, mas claro que cada um é livre de fazer as suas interpretações. Se essas interpretações servirem para melhorar a vida de alguém, fico feliz.
 
  • Aconselhava este livro a crianças e adolescentes? Como pensa que ele poderá mudar as suas vidas?
Claro que sim. Eu acho que é um livro sem idades-alvo, mas claramente, mesmo sendo suspeito, este é um livro que eu iria ler enquanto jovem, porque era curioso e porque o saber não ocupa lugar. Depois, acho que o livro está escrito de uma forma acessível e até divertida, porque muitas dessas histórias também o são, e isso pode ser um atractivo para os mais jovens.
 
  • Pensa que a importância que hoje se dá ao sucesso na educação das crianças e jovens as impede de sonharem e que está a torná-las menos resistentes ao fracasso? Ou não concorda de todo com esta ideia?

Não gosto de ver as coisas dessa forma. Acho que hoje são dadas às crianças mais valências desde mais cedo e, numa primeira análise, isso só pode ser positivo. Uma criança nunca pode deixar de sonhar. Agora, certamente que haverá casos de inadaptação ao modelo educativo mais exigente e aí será naturalmente de avaliar se está tudo a ser bem feito.

  • Tem mais histórias na gaveta que poderão gerar um próximo livro? 
Na pesquisa para este livro deparei-me com outras histórias e naturalmente foram surgindo ideias. Vamos ver o que acontece depois deste livro.
 
O concelho
  • Nasceu em Vila Franca de Xira e mora em Alverca. Qual é a sua relação com a terra em que nasceu, com Alverca e com o concelho em geral?
Sim. É aqui que continuo a viver. É uma relação presente, mas, por vários motivos, principalmente profissionais, pouco activa na vida local. No entanto, continuo a gostar muito de viver onde vivo.
 
  • Apresentou a 7.ª edição da Gala de Mérito Desportivo, promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e realizada no Ateneu Artístico Vilafranquense, e esteve presente na inauguração do Centro e Recolha Oficial do Canil Municipal de Vila Franca de Xira, após as obras de requalificação, no final do ano passado. O que o levou a estar presente nestes dois eventos e qual a importância de cada um deles?
É uma tentativa precisamente de continuar a fazer parte da vida local. Sempre que me é possível gosto de responder as essas solicitações. O desporto e os animais são duas temáticas que me são muito caras, quer o incentivo à pratica do primeiro entre os mais novos, quer os cuidados em relação aos segundos, devem ser uma prioridade nas responsabilidades de qualquer cidadão.
 
  • Porque faz questão de se manter envolvido nas iniciativas realizadas neste concelho?
Por isso mesmo, porque hoje em dia passo pouco tempo aqui e o tempo que passo não é muito presente na vida local; sempre que solicitado, tento dar o meu contributo.
 
O jornalismo
  • “É jornalista desde que se lembra”. Depois de tantos anos nesta profissão como vê o estado actual da comunicação social em Portugal e no mundo?
Em constante mudança e em adaptação a novas realidades e também novas ferramentas de trabalho, mas sempre com o mesmo objectivo de contar a verdade.
 
  • Antes de entrar na SIC, foi redactor do jornal Notícias de Alverca e jornalista na Rádio Ateneu, Rádio Lezíria e no semanário Vida Ribatejana. Continua a acompanhar a imprensa regional da actualidade? Qual é a sua opinião sobre o jornalismo que se faz na região?
Infelizmente não acompanho tanto como queria, por isso não tenho uma opinião muito formada. Acho que haverá menos dinamismo e variedade de órgãos de comunicação do que há 20 anos, quando eu trabalhava na área e isso, naturalmente, entristece-me, porque a imprensa regional é a primeira e melhor escola de jornalismo em Portugal.

O que nasce torto também se endireita

Capa e contra-capa

Há um velho ditado português que diz "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita". Este livro prova que esse ditado popular está errado. Há muita coisa que nasce torta, votada ao fracasso, que na realidade nunca deveria ter nascido, mas que, por um feliz acaso ou talvez não, se endireita e, em última instância, se torna um sucesso, um achado valioso, um feito indispensável para o ser humano. Quer exemplos? Vamos a isso.

A torre de Pisa, um ex-líbris do turismo italiano, nasceu torta, por um erro de engenharia. Conhece o disco voador? Os estudantes americanos divertiam-se a atirar pratos de alumínio de uma marca de tartes, a Frisbie, até que alguém resolveu tornar a brincadeira um negócio. Em 1903, um americano sem sítio para pendurar o casaco pegou num arame maleável, moldou dois ombros imaginários e no meio curvou-o para fazer um gancho que se pudesse pendurar em qualquer estrutura. Estava resolvida a questão. Já pensou porque é que os donuts têm um buraco? Por capricho do menino Hanson que, em 1847, achou o centro do bolo cru. A uma necessidade correspondeu uma ideia… Com um frasco de pimenta resolveu fazer um buraco para retirar a parte mal cozida. Mal sabia que estava a criar um dos doces mais famosos do mundo.

Próxima apresentação: FNAC NorteShopping, no dia 6 de Março, pelas 18h30.

Título:  O que nasce torto também se endireita

Autor: João Moleira

Género:  Cultura geral

Editora: Manuscrito

Nº de Páginas: 224

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Profissionalmente tem feito imensas coisas, no entanto, aqui só se encontrará a parte civilizada. Lê livros, conta histórias, estuda um pouco de tudo, o que lhe dá a capacidade de ver o mundo numa perspectiva alargada e de aprender depressa. Nunca pára de aprender. Vive numa insaciável busca por conhecimento e pela melhoria das suas aptidões. Gosta de fazer bem, privilegia sempre a competência e segura-a no seu horizonte. Se lhe perguntarem o que gosta mesmo de fazer, dirá que gosta de ler, escrever e de contar histórias. Por isso, escreve coisas em várias vozes. Eleva cada voz a um desafio que leva até ao fim e lhe serve de combustível. Escreve em plataformas Blogger, WordPress, papel ou na areia da praia. Conta histórias em vídeo, áudio, ou texto. E edita-as todas, porque, acredita, é na edição que está a arte. A quem interessar, nos espaços temporais que deixa em aberto, carregou fardos de palha, sacas de ração e carrinhos-de-mão cheios de estrume. Também trabalhou muitos cavalos e deu aulas de equitação, entre tantas outras coisas.

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