Inglesices: Pudins Yorkshire

Maria João Martinho
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Maria João Martinho

Historiadora da Arte de formação, trabalha desde 1999 na área do Património Cultural.
Adora cozinhar desde muito jovem, nutrindo um grande entusiasmo pela investigação de gastronomias internacionais, pela cozinha vegetariana e pela saúde baseada na prática alimentar.
A par da sua profissão, encontra-se actualmente envolvida em alguns projectos na vertente gastronómica, designadamente o projecto "Cozinha com Histórias", a decorrer no Palácio do Sobralinho, onde concilia a história dos alimentos à confecção de menus de degustação temáticos.
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Tenho sempre na minha mesa de cabeceira (pelo menos) um romance e muito raramente livros mais de carácter científico. Curiosamente estou neste momento a ler um que o é, intitulado “A Vida Secreta dos Intestinos” que estou a adorar e que aconselho vivamente porque, fazendo uso de um humor franco e inteligente, nos ensina tanto sobre o interior do nosso corpo, sobre a relação do intestino – o mais subestimado de todos o órgãos do corpo humano –  com aspectos que influenciam largamente a atitude que revelamos perante a vida.

Apesar de manter este gosto pela leitura que vem desde os tempos de adolescente, hoje em dia invisto a maior parte das minhas economias noutras leituras. Os livros de gastronomia ou sobre alimentação povoam as superfícies lisas do mobiliário da nossa sala, a ponto de nem sempre conseguir perceber, com aquela celeridade que seria expectável, onde está determinado livro.

Destas aquisições, creio que pelo menos 70% constituem obras de autores ingleses, que adoro, mesmo que muitos digam que não existe uma cozinha inglesa,  remetendo, como prova de semelhante afirmação, para os famosos fish and chips.

Em primeiro lugar, não concordo com tal certeza: quando penso naqueles programas televisivos extraordinários que nos mostram o countryside, os assados ou guisados incríveis que vejo serem preparados, não podia discordar mais.

Depois, considero que a cozinha inglesa beneficiou muito com a influência da gastronomia de outros países, Índia, Japão, Itália, graças ao carácter cosmopolita presente nas suas cidades, um pouco como me parece acontecer com a Austrália.

Como o Verão chegou (e parece que de vez) pensei apresentar-vos um prato muito simples e leve, perfeito para os dias mais quentes, e que se baseia num dos acompanhamentos mais conhecidos de Inglaterra: os Yorkshire puddings.

Apesar da denominação «pudim», o yorkshire pudding, embora possa ser usado para sobremesas, é, regra geral, usado como acompanhamento de carne e representa um dos pratos mais tradicionais dos assados de domingo ingleses.

A minha proposta de hoje faz uso do salmão fumado, de espargos verdes e beterraba, numa combinação que eu pessoalmente adoro. Sempre que possa – e isso aplica-se a qualquer peixe – privilegie o salmão selvagem, rejeitando o mais possível o de aquacultura, que está cheio de antibióticos, entre outros venenos.

Imagem 2_1
Se em vez de fazermos um pudim grande o substituirmos por pequenos pudins, usando as formas dos muffins, por exemplo, eles ficam com uma encantadora forma de taça, dentro de qual podemos colocar o molho que formos utilizar

Pudins Yorkshire com salmão, espargos e beterraba

(receita adaptada do blog jamieoliver e do livro deste autor Refeições em 15 Minutos)

 

Ingredientes

|azeite

|2-3 pés alecrim (opcional)

|2 ovos grandes

|150 ml leite meio-gordo

|65 g farinha trigo

|sal marinho

|pimenta preta

|180 g salmão fumado de qualidade selvagem

|1 molho espargos

|3 beterrabas frescas

|4 c. sopa vinagre balsâmico

|1 c. chá mel líquido

|2 pés manjericão

|1 e 1/2 limão

|1 iogurte natural

|alho ralado

Imagem 3_1
As beterrabas e os espargos são ingredientes absolutamente extraordinários, plenos de nutrientes e absolutamente aconselhados numa alimentação saudável e proporcionam aqui um colorido tão apetecível

Preparação

  1. Cozer as beterrabas com a casca até ficarem cozidas, mas sem ser demasiado (o tempo de cozedura dependera do tamanho de cada beterraba).
  2. Colocar um pouco de azeite no fundo de cada forma de muffins (eu uso aqueles tabuleiros para 12 muffins) e levar ao forno aquecido a 200º C durante cerca de 10 minutos.
  3. Bater os ovos com o leite, a farinha, o sal e a pimenta e adicionar o alecrim, retirar o tabuleiro do forno, distribuir o preparado pelas formas e levar ao forno na mesma temperatura entre 12 a 15 minutos.
  4. Entretanto, aparar os espargos, fazendo uso das mãos e nunca de facas (os espargos quebrarão no local onde o caule é mais fibroso e a zona mais tenra que deve ser consumida) e levar a um grelhador de chapa previamente untado com azeite.
  5. Cortar a beterraba em tiras ou cubos, colocar no lume numa frigideira anti-aderente, juntar o mel e o vinagre balsâmico, mexendo de vez em quando.
  6. Misturar o iogurte, o alho e o sumo de ½ limão e reservar no frigorífico.
  7. Quando os pudins yorkshire estiverem altos e bem tostadinhos, retirá-los do forno.
  8. Servir os pudins com pedaços de salmão e o molho de iogurte no seu interior, acompanhado da beterraba e dos espargos.

Bom fim-de-semana e bons cozinhados!

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Historiadora da Arte de formação, trabalha desde 1999 na área do Património Cultural.
Adora cozinhar desde muito jovem, nutrindo um grande entusiasmo pela investigação de gastronomias internacionais, pela cozinha vegetariana e pela saúde baseada na prática alimentar.
A par da sua profissão, encontra-se actualmente envolvida em alguns projectos na vertente gastronómica, designadamente o projecto “Cozinha com Histórias”, a decorrer no Palácio do Sobralinho, onde concilia a história dos alimentos à confecção de menus de degustação temáticos.

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