A última vez

José Gabriel Quaresma
Seguir

José Gabriel Quaresma

José Gabriel Quaresma tem 47 anos, é de Vila Franca de Xira, jornalista há 24 anos, pai de dois filhos, corre meias maratonas, treina Muay Thai na Escola ZFortes, em Vila Franca de Xira, faz televisão desde sempre.

Apresentador de notícias na TVI24, editor sénior da 25 HORA (Meia Noite), apresentou programas de desporto durante 13 anos.

É grande repórter.

Professor de Jornalismo Televisivo e Mediatrainer na Academia da Força Aérea Portuguesa.

É blogger no The Cat Run , Insónias e Gaibéu.
José Gabriel Quaresma
Seguir

Latest posts by José Gabriel Quaresma (see all)

A pior coisa que me podem fazer é ofender a minha inteligência.

Vem isto a propósito das eleições de dia 1 de Outubro.

As eleições autárquicas já não são o que eram, embora a maioria dos seus actores ainda pense que sim.

O teatro virtual assume agora uma importância determinante no curso das coisas.

Qualquer pessoa, tenha a idade que tiver, tem acesso ao espaço virtual e às redes sociais. É por lá que passa a batalha.

Acresce que, depois da brutal fustigação a que fomos sujeitos pela Troika e pelas suas torturas, as pessoas acordaram para a realidade dos seus dias.

Há uma imensa mancha humana que detesta que lhe ofendam a inteligência, não sou só eu.

E, não, não somos todos iguais, nem quero. Todos diferentes, isso sim.

Como não gosto que ofendam a minha inteligência, também não gosto de ofender a dos outros.

Por isso não vou mencionar o que podia ter sido feito e não foi, nem aquilo que devia ter sido feito e se promete agora, muito menos aquilo que é feito à velocidade de um mês.

Isso é alinhar pelo triste discurso dominante, bater no passado, quando o futuro é hoje.

Vila Franca de Xira faz lembrar Cristiano Ronaldo e Leo Messi.

Ambos fizeram e continuam a fazer coisas boas e coisas menos boas.

Mas insiste-se em dizer que um é melhor do que o outro.

Os dois partidos que governaram o concelho de Vila Franca de Xira nos últimos 20 anos fizeram coisas boas e coisas menos boas.

Insistir em apresentar umas e outras é estabelecer comparações sem sentido.

É disso que estou cansado, do discurso dominante, bafiento, bolorento, a cheirar a naftalina.

Estou preocupado com o futuro, não estou preocupado com o passado.

Quero um discurso diferente, de mudança, dinâmico, colorido, sobretudo sério nas convicções.

Votar numa eleição autárquica é o contributo mais importante que qualquer um pode dar à sua terra. Votar num nome, num rosto, num projecto.

Não acredito na partidarização da gestão autárquica, ela não é compatível com a proximidade que deve existir entre eleitos e cidadãos.

Acredito nas pessoas, em pessoas, nos seus projectos, talvez por isso nunca tenha votado nos partidos em que votarei agora, nas eleições legislativas.

Sempre votei em partidos com nomes que não lembram a ninguém.

Nas autárquicas não, nas autárquicas tenho a certeza que o meu voto influencia tanto quanto um voto de um aparelho partidário.

Tal e qual, votam os dos aparelhos partidários e uma mão cheia de tipos como eu, simples interessados em participar, já que não existe outra forma, pelo menos para mim.

Ups !

Este texto é uma participação, ínfima, é um facto.

Por isso, dia 1 vou votar diferente para a Câmara, para a Junta e para a Assembleia. Vou votar em três pessoas que representam três diferentes partidos.

É isso que as eleições autárquicas nos dão: voz, decisão, convicção, poder, para que o futuro da nossa terra seja melhor que todo o passado.

Tenho pena que a maioria dos actores destas eleições, aqueles que apelam ao meu voto, usem cartas sujas no jogo.

Perfis falsos nas redes sociais, ataques pessoais, propaganda enganosa, promessas sem nexo, discursos vazios, como se se tratasse de um dado adquirido.

A inteligência das pessoas não pode ser ofendida por quem lhes pede um voto.

As pessoas sabem, entendem, estão informadas, conhecem a realidade da sua terra, não gostam de jogo sujo. Não o querem. Venha ele de que zona do tabuleiro vier.

As pessoas querem propostas que, aos seus olhos, sejam realizáveis, as pessoas querem que a sua terra seja mais feliz e, infelizmente, quase nenhum actor destas eleições – há uma ou duas excepções – apresentou uma ideia sequer, algo que digamos: excelente ideia.

Ainda vão a tempo.

As pessoas querem mais, não querem ver as vossas trocas de insultos, as nuvens que pairam sobre as vossas cabeças, as pessoas querem jogo limpo.

Dia 1 de Outubro vou votar em três partidos diferentes.

Isso agrada-me.

Vou votar em três pessoas diferentes, ideias diferentes, projectos diferentes, órgãos políticos diferentes.

O que me irrita, para além de me ofenderem a inteligência, é que nas próximas autárquicas já não poderei escrever um texto como este.

Eu explico:

Ainda uso bilhete de identidade, por isso ainda voto em Vila Franca de Xira, mas daqui a pouco tempo, quando caducar, serei obrigado a ter cartão de cidadão, pior, serei obrigado a votar num concelho onde apenas habito, sobre o qual não tenho qualquer outro interesse.

Vila Franca de Xira é o meu coração, por isso, dia 1 de Outubro, vou fazer, pela última vez, aquilo que devo fazer,

Contribuir para que não me envergonhe do futuro, ainda que de uma margem à outra do rio vão apenas dez minutos de distância.

É o pouco que posso fazer.

E é a última vez, que isto da democracia também tem as suas balizas.

Refiro-me à obrigação de votar onde não quero, mas também me refiro à enorme falta de sentido da realidade da maioria dos actores políticos que vão a jogo nestas eleições.

Vá lá, não nos ofendam a inteligência.


Subscrever Do Lado de Cá do Rio

 

Comentários

Comentários

José Gabriel Quaresma

José Gabriel Quaresma tem 47 anos, é de Vila Franca de Xira, jornalista há 24 anos, pai de dois filhos, corre meias maratonas, treina Muay Thai na Escola ZFortes, em Vila Franca de Xira, faz televisão desde sempre.

Apresentador de notícias na TVI24, editor sénior da 25 HORA (Meia Noite), apresentou programas de desporto durante 13 anos.

É grande repórter.

Professor de Jornalismo Televisivo e Mediatrainer na Academia da Força Aérea Portuguesa.

É blogger no The Cat Run , Insónias e Gaibéu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

thirteen + 18 =